Memorial Viagem
Memorial Viagem
Mafra – Sintra – Lisboa
Ainda o sol não raiava, e já nos fazíamos à estrada, imbuídos pelos mais diversos sons, desde simpáticos diálogos aos mais diversos sons musicais, uns oriundos do pequeno retângulo ocidental europeu, outros das profundezas das antigas colónias lusitanas. Como o entusiasmo era grande, todos cumprimos o horário de partida à descoberta desta aventura.
Já em Mafra, no Convento, fomos divididos em dois grupos para que a visita fosse mais acolhedora e instrutiva. Agora, dentro daquela monstruosa edificação que funde Convento e Palácio, vimos o que de mais luxuoso e único permanecia dos dias gloriosos do nosso império. Impressionados ficavam todos aqueles que se punham no lugar do rei, relembrando, por vastas memórias, os passos que este tinha que dar, pelo imenso corredor que liga as duas torres – da rainha e do Rei - para cumprir o seu dever de marido, humedecendo a “madre seca” da rainha, a ver se a “emprenhava” e ganhava herdeiro.
Terminada a visita e já a barriga a dar horas, fomos almoçar à Escola José Saramago, em Mafra. Desvaneceu-nos o olhar no prato do dia, mas deu para arregalar os olhos, atendendo às condições materiais da escola, mas sobretudo à “massa” humana feminina. Até deu para jogarmos umas partidinhas de matraquilhos, o que seria impensável na nossa escola.
Terminada esta jornada, fomos em direção a Sintra, observando pela janela do autocarro a fusão entre montanhas e planícies, que resultavam num verdadeiro regalo à vista. Chegados ao Centro Cultural Olga Cadaval, assistimos à representação teatral de Memorial do Convento de José Saramago pela companhia ETER, que fez jus à grandiosidade da obra literária do escritor.
Por falar em tantos regalos, o verdadeiro foi a Quinta que tem o seu nome – Quinta da Regaleira, que mais parecia ter sido tirada de um conto de fadas, ou construída em cima de um sonho, ela como um todo, representa uma beleza descomunal que se estendia do palacete às grutas e jardins.
A caminho da capital, notámos duas cores que permaneciam no ar, tendo o verde contraído sentimentos dicotómicos entre a alegria daquelas matas da serra de Sintra e a desgraça do relvado que se aproximava aos poucos – Estádio José Alvalade - onde o Sporting foi eliminado das competições europeias. Já a outra cor era o azul que se estendia pela vastidão do oceano atlântico, desde o Guincho até Lisboa.
A passo de asa, chegámos a Picoas, na Fontes Pereira de Melo, onde íamos pernoitar. Depois de uma rápida acomodação da nossa bagagem nos respetivos quartos, fomos satisfazer os prazeres da gula. Deu ainda tempo, antes de regressarmos novamente à Pousada, de saborear a vida noturna de Lisboa e experienciar uma voltinha de trotineta elétrica.
No dia seguinte, após tomarmos um bom pequeno almoço na pousada, arrancámos com as nossas trouxas e afins para o Marquês de Pombal, ao que ficámos a saber que o autocarro se encontrava a um quilómetro e meio, ou seja, no topo do parque Eduardo VII. Depois do flagelo, vem o encanto, e que encanto com o espetáculo musical de Filipe La Féria, “Cinderela”, composto por muita música, cor e alegria. Depois desta revisitação encantada a um passado recente, e como diria o poeta, Fernando Pessoa, referindo-se à sua infância “Quero ir buscar quem fui onde ficou”, seguimos marcha para o Chiado, onde almoçámos à pressa, devido ao curto espaço de tempo que tínhamos. Infelizmente perdemos o espetáculo agendado “O silêncio de Saramago”, no Centro Cultural de Belém, devido a problemas de congestionamento do trânsito porque sua excelência o Presidente do Brasil e a Primeira Dama andariam pela baixa lisboeta, mas também por falta do rigor britânico por parte de alguns alunos.
Seguimos para a última etapa do nosso itinerário - O Museu Da Eletricidade. Para além da visita guiada ao museu, que ficou aquém das nossas expectativas pela impreparação e pouco conhecimento do guia, observámos ainda um conjunto de experiências que visavam realçar a importância das fontes de energia na sociedade e a não utilização das energias fósseis para a preservação do meio ambiente.
Por fim, voltámos sãos e salvos a casa, numa viagem, apesar de terminada, cheia de alegria e cantoria. Foi uma das melhores viagens que já fiz e tenho a certeza que a recordarei para sempre.
Gabriel Santiago